Professores, na Reinvenção da Educação

Quarta-feira, 6 Outubro 2021

Os professores são fundamentais na aprendizagem e importantes para o crescimento do nosso conhecimento. Conheça com a Direção-Geral da Educação como os professores e a educação se estão a reinventar, após a pandemia e com o regresso às aulas.

Professores, fundamentais na aprendizagem
#1 Com esta pandemia, o que mudou na educação? Que papel desempenharam os professores?

Com esta pandemia, a educação teve de, em pouco tempo, se adaptar, reinventar, adotar novas estratégias e dar resposta aos desafios que foram sendo colocados, pelas escolas, alunos, encarregados de educação e comunidades educativas, no seu todo, de modo a que o digital permitisse a realização das aprendizagens previstas e o sucesso educativo dos alunos. Foi necessário selecionar e pôr em funcionamento, de forma abrangente e sistemática, plataformas educativas, ferramentas de comunicação (incluindo sistemas de videoconferência), adaptar metodologias e dinâmicas pedagógicas e potenciar as aprendizagens recorrendo ao digital, num modelo que poderemos apelidar de ensino remoto de emergência. Numa primeira fase, a preocupação foi no sentido de dar resposta às necessidades dos alunos. Foi feito um grande investimento, a vários níveis, nomeadamente nos equipamentos disponibilizados, na capacitação digital dos docentes, no desenvolvimento digital das escolas e na produção de recursos educativos digitais, para que o digital venha a fazer parte do dia a dia das escolas e das suas dinâmicas pedagógicas, sendo um elemento promotor e facilitador de melhores aprendizagens. Os professores fizeram um esforço enorme, revelaram união e desempenharam um papel central e fundamental nesta fase de transição para o digital, adaptando as suas práticas pedagógicas e proporcionando aos seus alunos ambientes para a concretização de aprendizagens ativas e significativas em ambientes híbridos de aprendizagem.

No esforço acima mencionado de apoio à prática docente em período pandémico, a Direção-Geral da Educação (DGE) disponibilizou recursos pedagógicos, documentos de orientação e exemplos de práticas pedagógicas na plataforma “Apoio Escolas” (http://apoioescolas.dge.mec.pt), criada propositadamente neste contexto. Complementarmente, foram difundidas aulas em sinal aberto de televisão na iniciativa “Estudo em Casa” e houve um alargamento e intensificação do investimento na formação e no acompanhamento de docentes, através de webinares, MOOC, ações de formação de curta duração, cursos e oficinas de formação.

Através da NAU, no contexto pandémico, a DGE desenvolveu o MOOC “E@D nas Escolas”, para apoio aos professores nas suas práticas.

#2 Das formações da Direção-Geral da Educação que foram disponibilizadas na NAU qual a que teve maior impacto? Era um tema importante a abordar na comunidade educativa?

Desde o arranque da plataforma NAU em outubro de 2018, a DGE realizou 18 MOOC, alcançando um total de 36577 matrículas e 7653 certificados atribuídos, refletindo na taxa de sucesso média de 21,32%.

Medindo o impacto em termos de relação entre número de participações e as certificações atribuídas, o MOOC “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II)”, promovido pelo Projeto SeguraNet, realizado entre 14/01/2020 a 23/02/2020, teve a taxa de sucesso mais alta 31,55% (com esta taxa ponderada entre os 18 cursos, também mais elevada, de 29%).

De salientar que, apesar dos resultados em termos de valores, os MOOC associados ao domínio da Cidadania Digital – Segurança Digital revelaram e revelam um grande interesse e participação dos docentes – permitindo chegar à sala de aula com diferentes atividades promovidas.

Será ainda de referir dois MOOC de grande impacto: o MOOC “A Inteligência Artificial vai transformar a Escola?”, pela sua atualidade, área emergente e qualidade dos seus conteúdos e o MOOC “E@D nas Escolas”, pela pertinência, impacto e contextualização no apoio à aplicação do ensino a distância em época de pandemia.

De salientar que o MOOC “E@D nas Escolas” teve um total de 5831 inscrições, valor mais alto dos 18 cursos disponibilizados e 1003 certificações atribuídas (taxa de sucesso de 10,26% - taxa de sucesso ponderada de 10%).

#3 O que podem esperar os professores da 2ªedição do MOOC Tecnologias para a Inclusão e Acessibilidade? Como podem colocar em prática nas aulas ou escolas?

Os professores que participarem na 2.ª edição do MOOC TIA - Tecnologias para a Inclusão e Acessibilidade podem aprofundar conhecimentos sobre as diversas temáticas abordadas, em cada um dos módulos e, sobretudo, praticar na resposta às várias atividades que vão sendo propostas.

De forma muito resumida, os professores serão desafiados a aprofundar a abordagem do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA); a experimentar ferramentas para planear atividades; a criar recursos multimédia e a refletir sobre as suas práticas de sala de aula. Terão oportunidade de conhecer alguns bancos de recursos livres e explorar diversas ferramentas e APP para produzir recursos educativos, em múltiplo formato, que podem e devem aplicar na sua prática letiva. 

#4 A Direção-Geral da Educação tem prestado um grande apoio aos professores na sua aprendizagem e qualificação. Que novas formações irá a DGE disponibilizar na NAU?

A DGE tem previsto para o ano letivo de 2021/22 o desenvolvimento de novos MOOC, na sequência do que tem sido realizado nos últimos anos.

O MOOC "A Prevenção das Dependências Online em crianças e jovens", “Segurança Digital nas Escolas - eSafety Label” e os MOOCs do projeto eTwinning (Iniciante, Avançado e Aplicação de Projetos) estão já em desenvolvimento. Prevê-se também a aplicação de novas edições dos MOOC sobre a Inteligência Artificial nas Escolas. De salientar que, devido à pandemia e ao associado acréscimo de utilização de ferramentas e plataformas online de comunicação (formativas e curriculares/colaborativas), a DGE terá de repensar a forma como irá aplicar estas formações para as comunidades educativas.

#5 Que futuro podemos esperar para a educação em Portugal? A Direção-Geral da Educação vai apostar mais no online?

Dando cumprimento à resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020, e no quadro do programa de digitalização das escolas, a DGE tem feito uma grande aposta na educação digital, de modo a apoiar e a melhorar o processo de ensino e a aprendizagem e a promover o desenvolvimento de competências digitais, por parte dos alunos e dos professores, com vista à melhoria das aprendizagens e ao sucesso educativo.

Este investimento é visível em 3 grandes eixos de ação:

- disponibilização de equipamento individual e conetividade a alunos e professores;

- acesso a recursos educativos digitais de qualidade (são exemplos o Projeto-Piloto de Desmaterialização de Manuais Escolares e os repositórios de recursos educativos digitais -RED);

- aposta num plano de capacitação digital de docentes (já estão formados cerca de 578 formadores que se encontram a dinamizar formação nos Centros de Formação de Associações de Escolas, direcionada para o nível de proficiência digital dos professores, de acordo com os resultados que obtiveram no Check-In).

A capacitação digital das escolas e dos docentes permitirá integrar o digital num contexto pedagógico, tornando-o um elemento facilitador das aprendizagens e, em simultâneo, promotor do desenvolvimento de competências digitais dos alunos.

Para este efeito, as escolas já estão a refletir criticamente sobre as suas práticas e desenvolver os seus próprios planos de ação de desenvolvimento digital (PADDE), tendo em conta os seus contextos/documentos orientadores e envolvendo as suas comunidades educativas. Para as apoiar neste trabalho, encontra-se associado a cada CFAE um Embaixador Digital que, em conjunto com as escolas, vai orientado e monitorizando as ações a desenvolver.

De modo a divulgar o trabalho que tem vindo a ser realizado no âmbito da capacitação digital das escolas, foi criado o site https://digital.dge.mec.pt/ .

#6 Qual a sua opinião sobre os novos modelos de ensino a distância/remoto? Indique uma vantagem e uma desvantagem sobre lecionar remotamente.

Não existe um novo modelo de ensino. Existe sim um modelo do ensino presencial que pode ser complementado, em situações em que não é possível ter a interação presencial, com o ensino a distância.

De salientar, que o ensino presencial é a base de uma boa formação social, emocional e pedagógica dos nossos alunos. No entanto, o ensino a distância, com a possibilidade de chegar a uma audiência mais alargada, em situações que não é possível estar presencialmente, poderá ter um espaço complementar na educação.

#7 Que serviços tecnológicos utilizou e considera imprescindíveis para o ensino à distância?

Os serviços tecnológicos estão associados a condições técnicas base para a implementação do ensino a distância. Assim, a conetividade, os dispositivos físicos adequados e os programas/softwares específicos de comunicação e conferência são imprescindíveis para o trabalho de alunos e professores em contexto de ensino a distância.

#8 Será a Internet um apoio ou uma ameaça para a sua profissão, a longo prazo?

A Internet, na sua conceção atual de rede de comunicação e partilha de informação e serviços, deverá ser sempre considerada como uma ferramenta ou meio para nos apoiar a nível profissional e pessoal.

A presença destes serviços em todos os domínios da atividade humana tem revelado implicações socioeconómicas profundas que se revelam, por exemplo, no surgimento de novas profissões. Projetando para o longo prazo, é quase impossível falar de Internet sem associar a Inteligência Artificial que já está a influenciar muitos domínios da ciência, da governação e da economia.

Assim, nos domínios da Educação, a Internet não será uma ameaça à profissão docente, mas antes um forte aliado ao trabalho do professor, melhorando a sua ação ao nível do ensino e fomentando a curiosidade dos alunos pela aprendizagem, através de cenários desafiantes com diferentes enquadramentos culturais, científicos e tecnológicos e com variados graus de complexidade. Importa, para tal, investir na formação inicial e permanente dos docentes, na investigação sobre novas metodologias de ensino e aprendizagem e no desenvolvimento de cenários virtuais e de recursos educativos digitais.

Tal está já em curso no âmbito do vasto programa de transição digital na educação que contempla os eixos de ação atrás mencionados e que incluem a disponibilização de equipamento individual e conetividade a alunos e professores, o acesso a recursos educativos digitais de qualidade e uma forte aposta num plano de capacitação digital de docentes.

Neste contexto de grande investimento, urge aproveitar a oportunidade de, com os recursos disponíveis e as ações que os alicerçam, fazer com que a ação do professor se desenvolva ao nível do uso do digital, com o objetivo de promover o sucesso escolar de todos os seus alunos.