Lisboa Capital do Desporto

Sexta-feira, 18 Junho 2021

Este ano, 2021, Lisboa é a Capital Europeia do Desporto, promovendo hábitos de vida saudável, na melhoria da qualidade de vida, na saúde e no bem-estar. É importante fazer exercício e ter uma vida ativa, pois, o sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o surgimento de doenças crónicas.

O exercício é recomendado a todas as faixas-etárias e neste sentido, entrevistámos o nosso parceiro, o Politécnico de Lisboa que através do seu curso “Prevenir para Não Cair: Guia de Exercícios”, pretende educar e incentivar a prática de exercício nos maiores de 50 anos de forma a que possam reforçar a sua força muscular, a sua flexibilidade e a sua capacidade funcional.

A entrevista foi feita à Presidente da Escola Superior da Tecnologia da Saúde de Lisboa, Beatriz Fernandes, ao Pró-Presidente do Politécnico de Lisboa para o Ensino a Distância, Renato Abreu, à Professora Adjunta da Licenciatura de Dietética e Nutrição da ESTeSL, Marisa Cebola e à Professora Adjunta da Licenciatura de Fisioterapia ESTeSL, Teresa Tomás.

#1 Lisboa é este ano a Capital Europeia do Desporto, como sugere que este evento possa ser celebrado, principalmente por adultos com mais de 50 anos?

A prática de exercício físico é sem dúvida enriquecedora a todos os níveis e deve ser estimulada em todas as idades. Contudo, para a mesma deve ser adapta em função das necessidades de cada indivíduo. No caso dos maiores de 50 anos o exercício físico traz sem dúvida benefícios adicionais para a saúde física, mental e cognitiva.

Assim, é nossa convicção que os adultos maiores de 50 anos, salvo algumas exceções bem documentadas, deverão praticar exercício físico (diferente de desporto) adaptado às suas limitações presentes, visando prevenir as eventuais limitações futuras e, sobretudo, adaptado a cada uma das diferentes faixas etárias.

Cada um destes indivíduos maiores de 50 anos terá com certeza cuidados clínicos, que importa conhecer e saber adaptar o exercício.

Se não puderem fazer exercício físico de intensidade moderada pelo menos 30 minutos em 5 dias por semana associado a exercício muscular em 2 desses dias, então que sejam pelo menos mais ativos e menos sedentários.

Em suma, a palavra-chave é mesmo individualização, especificidade e também exercício terapêutico.

#2 A importância do exercício físico é frequentemente referida, no entanto, o público-alvo são as camadas mais jovens. De que forma poderão também ser incluídas outras faixas etárias? Foi este um dos objetivos do curso, “Prevenir para Não Cair”? Quais as suas principais vantagens?

Todas as faixas etárias podem praticar exercício físico mesmo os maiores de 80 anos. No entanto, as faixas etárias mais velhas, e pegando na questão anterior, nos maiores de 50 anos, têm especificidades até do ponto de vista clínico que podem aumentar o risco de praticar exercício por não ser bem orientado e adaptado.

Portanto, é fundamental conhecer bem não só os efeitos da prática de exercício físico, mas, também, as condições clínicas de cada um.

Com este curso “Prevenir para não cair” pretendeu-se ajudar uma faixa etária mais alta, com riscos mais elevados devido às condições clínicas associadas, contribuindo para que estes sejam mais ativos sem correr riscos.

Mais importante, ainda, mostrar que estes exercícios que propomos têm um objetivo muito concreto direcionado para um problema também muito concreto e clínico, a prevenção de quedas que, muitas vezes, podem conduzir a fraturas e, por vezes, a desfechos indesejados.

Sabemos que muitas vezes existe na sua génese um problema de inatividade que condiciona, por exemplo, a perda de massa muscular, a fragilidade óssea, que pode ser prevenida com a prática de exercícios tão simples como os que propusemos no curso, e que têm, por isso, um objetivo terapêutico.

E claro, são exercícios simples que qualquer pessoa pode fazer e não apenas os indivíduos mais frágeis, ou de idade mais avançada. Adicionalmente, são exercícios que qualquer um pode fazer em casa, quando lhe for mais conveniente, permitindo assim autonomia e segurança.

Aqui as palavras chave são mesmo exercício terapêutico, segurança, autonomia e prevenção. Temos esperança que iniciativas como a de Lisboa Capital do Desporto tenham igualmente em conta estes temas.

#3 Para além da prática desportiva, que outros cuidados adicionais se devem ter em consideração para alcançar uma vida mais saudável?

No idoso é importante prevenir a incapacidade física e a morbilidade e, por isso, devem ser adotados estilos de vida saudáveis.

Aliar a atividade física à ingestão de alimentos equilibrada e diversificada, permite que no dia a dia o organismo tenha à sua disposição a energia e os nutrientes (macro e micro) necessários para satisfazer as necessidades nutricionais e manter uma vida saudável. Há várias recomendações que devem ser feitas para a manutenção de um bom estado nutricional.

Destacam-se, entre outras, a ingestão hídrica para garantir a hidratação do indivíduo e a ingestão proteica, que associada à atividade física regular, permite prevenir a perda de massa muscular.

#4 Uma vez que a prática desportiva recorrente deve ser abrangente a todas as faixas etárias, que recomendações aconselha a quem pretenda iniciar este modelo de vida ativo e se encontre na faixa etária dos 50 a 60 anos?

Qualquer indivíduo maior de 50 anos, terá de começar de forma gradual até se tornar de facto mais ativo e menos sedentário. Aumentar pelo menos o tempo em que caminha por exemplo e aproveitar aderir a iniciativas como as de Lisboa Capital do Desporto.

À medida que um indivíduo se torna mais ativo também conseguirá fazer exercícios de intensidade e/ou duração progressivamente mais elevada. No entanto, à medida que a sua prática de exercício se torna mais regular e os níveis de intensidade forem aumentando deve, pelo menos, saber se em termos de saúde não existem riscos ou contraindicações.

Assim, deve existir uma avaliação prévia por um profissional de saúde, definindo progressivamente qual o percurso a fazer em termos de exercício físico do indivíduo. Iniciar gradualmente, tornar-se cada vez mais ativo e menos sedentário até que o exercício físico faça também parte da sua vida e seja regularmente praticado, haja o que houver.

À medida que vamos pensando em indivíduos mais velhos, maiores de 60 anos, ou maiores de 70 anos ou maiores de 80 anos, os cuidados deverão ser mais específicos e mais terapêuticos.

Uma avaliação inicial da sua aptidão física e da sua capacidade funcional é fundamental e deveria ser obrigatória.

Uma supervisão próxima pode ser indispensável bem como a monitorização das respostas ao exercício. Ou seja devemos ter um cuidado muito grande na forma da execução, que terá sempre de ser adaptado ao individuo, à sua condição clinica, à sua aptidão física e capacidade funcional.

E depois associar sempre algumas estratégias motivacionais para ajudar a ser persistente e não desistir tornando o exercício físico agradável e indispensável. Se pensamos em indivíduos mais jovens, mas com condições clinicas já pré-diagnosticadas, então todos estes princípios são fundamentais: avaliar, monitorizar, adequar e saber qual o nível de risco e segurança.

Aqui diríamos que as palavras chave são mesmo adaptação, supervisão, especificidade e, claramente, exercício terapêutico.

#5 Como parceiro recorrente, como classifica a evolução da NAU enquanto plataforma? Considera que a NAU foi uma mais-valia no alcance dos objetivos propostos com o curso desenvolvido pelo Politécnico de Lisboa?  

A educação, tem vindo a passar nos últimos tempos por mudanças significativas através do desenvolvimento dos Recursos Educativos Digitais, sobretudo no que diz respeito ao crescimento exponencial das modalidades de Educação a Distância. Entre essas mudanças está a introdução de MOOCs, aulas massivas, abertas e online que visam fornecer um formato educacional abrangente.

Em 2011, os MOOCs refletiram tendências de desenvolvimento significativas na educação introduzidas por várias organizações, como a Coursera, Udacity e EDX. Neste enquadramento fez todo o sentido o Politécnico de Lisboa associar-se ao Projeto da NAU como parceiro, e constituir-se como responsável pela produção de conteúdos formativos.

Desde o lançamento da Plataforma NAU temos assistido a uma presença cada vez mais notada de Instituições de Ensino Superior Portuguesas nos MOOCs disponíveis na NAU, o que aliás já aconteceu em outros países.

Relembro que em 2011, Sebastian Thrun e outros colegas da Universidade de Stanford ofereceram um curso académico gratuito sobre inteligência artificial para fornecer uma oportunidade educacional para qualquer pessoa interessada em estudar este assunto, que foi frequentado por cento e sessenta mil participantes de 190 países.

Em 2013, Waldrop observou que, em menos de dois anos, foram lançados 328 cursos MOOCs por 62 instituições de ensino, tendo-se matriculado 2,9 milhões de formandos de 220 países.

Daqui facilmente se pode compreender o interesse das Instituições de Ensino Superior Portuguesas na parceria vantajosa com a Plataforma NAU. Esta parceria posiciona estrategicamente as Instituições de Ensino no objetivo de proporcionar cursos gratuitos acessíveis a todos que desejam aprender sem restrições, com níveis de satisfação elevados para estes “consumidores", que podem ser simultaneamente o público-alvo das Instituições do Ensino Superior com todas as vantagens que dai advém.

#6 Considera que a ligação estabelecida entre as entidades envolvidas (NAU e Politécnico de Lisboa) facilitou o alcance dos objetivos? Quais os passos futuros no que diz respeito à criação de novos cursos e desenvolvimento desta parceria? 

Atualmente, na perspetiva do Politécnico de Lisboa, os MOOCs já desenvolvidos em parceria com a NAU (Introdução à Epigenética e Prevenir para não cair), e os que estão também já em fase de desenvolvimento (três), assumem um papel relevante, porque permitem:

  • Inovar educacionalmente através da implementação desta modalidade de educação;
  • Incentivar ao empreendedorismo e inovação;
  • Criar um ambiente online, composto por um espírito de colaboração e cooperação, partilha de conteúdos e opiniões entre todos os participantes envolvidos na produção de MOOCs;
  • Incentivar à interação com diferentes tecnologias digitais que servem de base e de apoio à concretização do respetivo curso;
  • Incentivar os professores a desenvolverem recursos didáticos e modelos pedagógicos diferenciados das suas práticas;
  • Incentivar a comunidade académica do Politécnico de Lisboa para a educação a distância;
  • Promover o Politécnico de Lisboa não só no âmbito nacional e internacional.

Por último, e muito importante, é mais uma estratégia de captação de estudantes para o Politécnico de Lisboa, como é exemplo de alguns estudantes do Curso de Ciências Biomédicas Laboratoriais que fizeram a escolha deste curso após frequentarem o MOOC de “Introdução à Epigenética”, nas suas duas primeiras edições.

A NAU

A NAU acredita que iniciativas como a de Lisboa Capital do Desporto são benéficas para toda a sociedade e motivam ao exercício para todas as gerações, tendo em conta que cada idade tem a sua especificidade, recomendamos o curso do Politécnico de Lisboa como meio de informação sobre os cuidados a ter uma vida mais ativa e saudavel.

Inscreva-se no curso disponibilizado através da plataforma NAU, um serviço gerido pela unidade FCCN da Fundação da Ciência e a Tecnologia (FCT): https://www.nau.edu.pt/pt/curso/prevenir-para-nao-cair-guia-de-exercicios/

Lisboa Capital do Desporto

Mais do que nunca, nos momentos de adversidade que vivemos, a prática de exercício e a mobilidade física são fulcrais do dia-a-dia da nossa comunidade. Sendo a sua prática regular vital para a saúde e bem-estar, seja este físico ou psicológico. Alinhada com o 11º dos objetivos de desenvolvimento sustentável da agenda 2030, das Nações Unidas, a iniciativa Lisboa Capital do Desporto, inserida na CED 2021, é uma oportunidade de tornar a cidade e a comunidade mais resiliente e sustentável.