Dia Mundial da Terra: Um dia para celebrar, ensinar e proteger

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Quinta-feira, 22 Abril 2021

Hoje, assinala-se uma data importante para toda a humanidade - o Dia Mundial da Terra. Um dia de celebração e de sensibilização para a importância desta que é a casa de todos nós, e também para todos os problemas que ela enfrenta. Porque apesar de o mundo estar a atravessar uma crise sanitária que parece eclipsar todas as outras, há uma crise mais antiga, mais profunda e cujas implicações podem ser ainda mais graves: a crise climática. Uma problemática de dimensão global, que deve ser combatida por todos e em todas as frentes, com particular atenção na pedagogia das gerações mais novas. Porque uma boa base de conhecimento e sensibilização para estes problemas e para as suas possíveis soluções é a melhor arma para enfrentar este que é o maior desafio coletivo que a humanidade enfrenta.

A formadora do curso Educação para a Sustentabilidade, Sandra Caeiro, descreve a experiência com a NAU, detalhando a importância que o curso teve na transmissão e promoção da temática da sustentabilidade e da preservação do ambiente no dia a dia.

Professora Sandra Caeiro

#1 No Dia Mundial da Terra é habitual vermos escolas que realizam ações como a plantação de árvores, por exemplo. Pensando na atividade letiva regular, durante o resto do ano, que tipo de ações pensa poderem ser realizadas com estudantes, numa lógica de educação para a sustentabilidade?

O tema da Educação para a Sustentabilidade é muito vasto e integrador, sendo a área da conservação da natureza e, neste caso, as florestas e os ecossistemas terrestres, um deles. As temáticas podem e devem ser trabalhadas ao longo de todo o ano, abrangendo diversas matérias desde as ambientais, mais ligadas à conservação dos recursos (por exemplo a poupança de água ou redução da produção de resíduos) ou a preservação dos ecossistemas e a eficiência energética), às mais sociais e económicas, como a igualdade de género e a paz, mas podem ser também trabalhados temas transversais tais como hábitos de consumo mais sustentáveis e estratégias, cidades e comunidades mais sustentáveis. Qualquer um destes temas podem ser abordados através de visitas de estudo, trabalhos em sala de aula, pesquisas na internet ou  através de análise crítica dos hábitos das crianças no seu dia a dia em casa e junto das suas famílias.

#2 De que forma documentos como a Estratégia Nacional de Educação Ambiental ou o Referencial de Educação Ambiental para a Sustentabilidade podem auxiliar esse trabalho? Pensa que são documentos com impacto no trabalho realizado pelas escolas?

Esses documentos são ótimos guias, onde se efetua uma ligação entre as diferentes disciplinas e temas de atuação da ENEA, como os temas ligados ao clima e eficiência energética, economia circular e valorização do território. Além disso apresentam diretrizes para os recursos físicos e humanos necessários. Os temas a abordar abrangem os diferentes níveis de educação, desde o pré-escolar até ao ensino secundário. Por essa razão estes documentos têm um impacto positivo no trabalho a realizar nas escolas. O que continua a faltar é o apoio financeiro e tempo disponível para os professores poderem implementar as respetivas ações.

#3 A Sandra é formadora do curso “Educação para a Sustentabilidade”, disponibilizado através da plataforma NAU, que procura auxiliar os professores a criarem um projeto educativo que coloque na prática ações para “alterar comportamentos pró-ambientais e para a sustentabilidade”. De que forma é que este objetivo é cumprido?

Este objetivo cumpre-se se pudermos verificar que os professores que participaram na formação irão aplicar os conceitos lecionados depois, nas suas práticas profissionais. Verifica-se, de qualquer forma, que muitos dos formandos estão já a aplicar esses conceitos e práticas pelos exemplos que vão partilhando no curso e pelos trabalhos que apresentam. No final temos um questionário para perceber se os objetivos do curso foram atingidos e se pretendem aplicar ou continuar a aplicar estes conceitos. De qualquer forma a sua confirmação só pode ser feita se inquirirmos novamente os participantes algum tempo após a ação e confirmar o referido, logo após a ação.

#4 Pode dar-nos alguns exemplos de ações específicas que podem ser implementadas e que poderão fazer a diferença no grau de literacia ambiental dos estudantes?

Os exemplos são muito diversos, e é muito difícil resumir aqui, mas os mais comuns e mais fáceis de trabalhar e medir a sua eficiência estão ligados à redução da produção de resíduos, à separação destes para reciclagem, às práticas de conservação da natureza, como a importância da plantação e conservação de árvores, à prevenção de incêndios florestais, à poupança da água e energia, à alteração dos hábitos de consumo e hábitos de mobilidade suave ou uso de transporte público, diminuindo o uso do transporte privado. Estes temas podem ser trabalhados em contexto de sala de aula, exterior e trabalho com as famílias, mas tanto quanto possível, recorrendo a técnicas educativas mais colaborativas e que ponham os alunos a pensar.

#5 Pensando nos comportamentos do público em geral e na sua ligação com o conceito de sustentabilidade ambiental, quais pensa serem os principais desafios que se colocam, num futuro próximo?

Os principais desafios prendem-se com o problema das alterações climáticas, devido ao uso dos combustíveis fósseis, e da necessidade de manter e respeitar o equilíbrio com a natureza. A atual pandemia que estamos a sofrer e maior ocorrência de fenómenos climáticos extremos, são a melhor prova dos atuais desafios que vivemos. As questões ligadas à tolerância e solidariedade são também fundamentais de serem trabalhadas.


#6 A utilização da plataforma NAU foi ao encontro das suas expectativas? Porquê? Recomendaria a sua utilização a outros profissionais?

Sim, na medida em que se trata de uma plataforma de ensino/aprendizagem aberta para grandes públicos, permitindo chegar a um público mais alargado. Claro que os cursos se devem basear num modelo pedagógico apropriado, de forma a conseguir atingir-se os objetivos da formação. Sim, recomendaria a formadores que tenham formação e experiência no ensino em e-learning.