Dia Mundial da Higiene das Mãos: adoção de comportamentos preventivos

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Quarta-feira, 5 Maio 2021

Devido ao advento da pandemia de Covid-19, o simples ato de lavar as mãos ganhou toda uma nova dimensão e relevância. Hoje, a higiene das mãos é vista como uma das grandes armas de prevenção de contágio, e é o foco de diferentes ações de formação e sensibilização por parte da Direção-Geral de Saúde (DGS), algumas delas promovidas através da plataforma NAU.  

No âmbito do Dia Mundial da Higiene das Mãos, a DGS, responsável pelo curso “Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções”, fala-nos sobre a importância desta temática em contexto de pandemia e da experiência com a NAU na promoção da adoção destes comportamentos preventivos. 

#1 Foi com a pandemia que a lavagem frequente das mãos se tornou um lema e invadiu a atualidade. De que forma a higienização das mãos nos protege, e qual a sua importância? 

A Higiene das Mãos é considerada uma medida simples e com impacto na prevenção e controlo das infeções, tanto nas unidades de saúde como na comunidade. Prevenindo infeções, reduzimos o consumo de antibióticos e, consequentemente, a emergência de microrganismos resistentes a esses fármacos.  

As mãos são a principal via de transmissão de microrganismos. Alguns destes fazem parte da nossa flora habitual e são inofensivos, mas alguns podem causar infeções graves. 

Sabemos que as nossas mãos são usadas em inúmeras ações ao longo do dia, algumas realizadas de forma consciente e outras difíceis de controlar. Com elas cumprimentamos, afagamos os animais, transportamos o lixo, tocamos no nariz e na boca, manipulamos os alimentos e contactamos com uma grande variedade de superfícies. Em todos estes momentos, e muitos outros, vão ficando contaminadas com microrganismos que habitualmente não existem na nossa pele e que podem ser nocivos.

Se as mãos não forem higienizadas regularmente, esses microrganismos podem multiplicar-se e transmitir-se, quer para nós próprios (quando tocamos na boca, nariz ou olhos), quer para os outros que nos rodeiam e provocar infeções. Por isso, é tão importante ir removendo estes microrganismos, ao longo do dia, com uma correta higiene das mãos. 

Naturalmente que a pandemia veio promover a higiene das mãos, assim como restantes medidas de prevenção e controlo de infeção, na Comunidade. Mas, agora, o que importa é que seja sustentada para além da pandemia por COVID-19, como seu legado positivo, dada a sua relevância na saúde das populações. 

#2 Como explica que seja necessário, atualmente, formar a sociedade para uma correta higienização das mãos, quando esta devia ser uma prática comum nas famílias, e instituições de ensino? 

A higiene das mãos é uma medida fácil e custo-efetiva na prevenção de infeções, que deveria ser transmitida a todos, desde cedo. Deveria ser parte dos nossos gestos quotidianos e ser vista como uma medida de prevenção da doença e promoção da saúde, tal como a alimentação saudável e a atividade física. No entanto sabemos que nem sempre assim acontece. 

A sua promoção é uma responsabilidade partilhada entre todos os cidadãos, deve ser feita no seio da família, nas escolas, nas redes de amigos, no trabalho, em todas as nossas interações em comunidade. É preciso investir na formação, sobretudo das crianças e jovens e apostar na sustentabilidade desta medida, para além da pandemia por COVID-19, pois a higiene das mãos também previne muitas outras infeções. A formação é fundamental para que os cidadãos entendam os princípios de evidência científica que estão subjacentes a estes gestos. Pessoas informadas do porquê, como e quando devem lavar as suas mãos, irão aderir ao seu cumprimento. 

Por essa razão, em 2021, a DGS através do programa de prevenção e controlo de infeções e resistência aos antimicrobianos e demais estruturas internas, colocou o foco nos cidadãos, sobretudo nos mais jovens, como agentes de mudança. Serão desenvolvidas atividades nas Escolas nos diversos níveis de ensino, mas também serão divulgados materiais promocionais para todos os cidadãos, com o intuito de integração da higiene das mãos no quotidiano como um gesto de proteção comunitário: protejo-me e ao mesmo tempo, protejo os outros que me rodeiam. É esse o princípio. 

#3 De que forma o Curso desenvolvido pela DGS Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções é uma mais-valia? Quais as motivações que levaram à criação do mesmo?

No âmbito da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015-2020, que visou reforçar a qualidade e a segurança do Serviço Nacional de Saúde, o curso “Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções”, uma iniciativa da DGS e da Ordem dos Farmacêuticos, foi uma ferramenta muito importante para a capacitação do cidadão. 

O curso “Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções”, que estará disponível até 30 de junho de 2021, conta com 7685 participantes, dos quais 5732 concluíram com sucesso, tendo recebido um certificado de participação.

Este curso teve o apoio institucional de diferentes ordens profissionais do setor da saúde e pretendeu implementar uma ação de saúde pública eficiente e transversal, contribuindo, assim, para a divulgação e aumento da participação do cidadão neste curso. 

#4 Literacia em Saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o conjunto de “competências cognitivas e sociais e a capacidade dos indivíduos para ganharem acesso a compreenderem e a usarem informação de formas que promovam e mantenham boa saúde”. Considera que existe défice de informação no que diz respeito ao tema saúde? Qual a proposta para colmatar esta necessidade? 

O tema Saúde é muito abrangente e acarreta em si um desafio permanente e constante de informação e atualização. Ainda que, sobretudo durante o período pandémico, a informação no respeitante à área da saúde tenha ganho um importante realce e dimensão, sabemos que é fundamental que a mesma seja mantida, de múltiplas formas e por múltiplos canais em função do público-alvo. A aposta na Literacia em Saúde tem permitido que a informação disponível seja trabalhada para ser de fácil acesso e compreensão por parte de toda a população. A aposta numa estratégia permanente e concertada, a presença nos meios de comunicação e as parcerias procurando produzir conteúdo claro e objetivo, com uma linguagem simples e adaptada à população, para que seja transversalmente compreendido tem sido fundamental. A aposta nos processos de ativação do comportamento para a efetiva utilização da informação disseminada é central para o sucesso da promoção da Literacia em saúde. 

#5 Como classifica a NAU enquanto plataforma? Considera que a NAU foi uma importante parceira no alcance dos objetivos propostos com o curso desenvolvido pela DGS? 

A NAU tornou-se uma importante parceria no alcance dos objetivos da DGS, como ferramenta de simples acesso, segura, e friendly, que possibilita aos utilizadores de diversas faixas etárias a participação, de modo a promover a literacia em saúde e a participação ativa do cidadão. Todavia, o recurso à Plataforma NAU para formação do cidadão, tem como limitação a participação de potenciais formandos que são infoexcluídos. 

#6 Considera que a ligação estabelecida entre as entidades envolvidas (NAU e DGS) facilitou o alcance dos objetivos? Quais os passos futuros no que diz respeito à criação de novos cursos e desenvolvimento desta parceria? 

Atendendo à pertinência da melhoria da prática clínica dos profissionais de saúde e capacitação do cidadão, a Direção-Geral da Saúde surge como parceira do Projeto NAU, comprometendo-se em alcançar uma melhor saúde para todos, apostando na formação contínua e integrada dos profissionais de saúde e do cidadão. 

Desde o início da Plataforma NAU, sempre houve uma profícua colaboração entre a DGS e a NAU. A NAU tem acompanhado as equipas de produção da DGS, no que concerne a esclarecimentos, apoio à tomada de decisão e acompanhamento dos cursos. Importa ainda acrescentar a disponibilidade e espírito de entrega da equipa de suporte NAU e do Gestor NAU, tanto às equipas da DGS, como aos utilizadores dos cursos.  

Cientes da necessidade de continuar a dinamizar ações de promoção da saúde, prevenção da doença e melhoria da prática clínica, a DGS está envolvida e empenhada em desenvolver mais cursos, pois esta Plataforma é uma excelente ferramenta e veículo de comunicação de boas práticas em saúde. Neste sentido, já existem três cursos estruturados com as respetivas temáticas: COVID-19 e Medidas de Isolamento no Domicílio; Promoção do Envelhecimento Ativo e Saudável e Literacia em Saúde – Capacitação dos Profissionais de Saúde.