Dia Mundial da Saúde: um dia para celebrar um ano de trabalho na prevenção da COVID- 19

Quarta-feira, 7 Abril 2021

De um dia para o outro, médicos, enfermeiros, cuidadores e todos os profissonais de saúde tiveram de se adaptar e de sacrificar muito em prol de um bem comum, na luta com a COVID-19 - um esforço que foi recentemente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, com a declaração de 2021, como o ano internacional dos trabalhadores de saúde e cuidadores, e que hoje ganha particular destaque com o Dia Mundial da Saúde.

Ao longo do último ano, através da sua parceria com a NAU, a Escola Superior de Enfermagem do Porto, criou e promoveu diversos cursos específicos sobre COVID-19, com o objetivo de promover a formação contínua de todos os profissionais de saúde.

O responsável do curso "ECare - COVID-19: Programa de Atualização Profissional" e Professor Coordenador da ESEP, Miguel Padilha (MP), e o Presidente da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), Professor Doutor Luís Carvalho (LC), descrevem a experiência com a NAU, detalhando a passagem de conhecimento em contexto de pandemia.

Professor Coodernador da ESEP, Miguel Padilha

#1 A OMS declarou 2021 o ano Internacional dos trabalhadores de saúde e cuidadores. Qual a importância que atribui a este destaque, nomeadamente no que diz respeito ao reconhecimento do trabalho realizado por estes profissionais?

(MP) Com esta declaração, a OMS reconhece a centralidade da ação dos trabalhadores de saúde e dos cuidadores na resposta global à pandemia por COVID-19 e, simultaneamente, chama a atenção para a necessidade de maior suporte, proteção, motivação e equipamentos de uso clínico e proteção individual que garantam a qualidade e segurança dos cuidados de saúde.

A pandemia por COVID-19 veio despertar a opinião pública para a necessidade de criar condições aos profissionais de saúde, que tornem mais apetecíveis as carreiras na área da saúde e da enfermagem, em particular. De resto, esta organização tem alertado, nos últimos anos, para o problema crescente da diminuição global do número de enfermeiros e a sua implicação no acesso, qualidade e segurança dos cuidados.

Despertada a consciência coletiva torna-se, agora, necessário que os decisores políticos viabilizem: implementação de medidas que garantam o acesso; estabilidade no emprego; justa remuneração, equidade no acesso e na progressão numa carreira atrativa, bem como incentivos à formação ao longo da vida.

#2 A Escola Superior de Enfermagem do Porto apostou na criação de cursos sobre a COVID-19, através da Plataforma NAU, para a formação de profissionais e cuidadores de saúde. De que forma é que estes cursos podem auxiliar a ação de quem trabalha no terreno?

(MP) A utilização de plataformas de acesso a grandes audiências, como é o caso da Plataforma NAU, tornou possível à ESEP expandir a sua missão. A Pandemia por COVID-19 trouxe especial complexidade e sobrecarga aos Profissionais de saúde, tornando explicita a necessidade de formação continua que possibilite a atualização profissional com vista a garantir a qualidade e segurança dos cuidados.

De facto, neste período, o acesso desmaterializado, através da tecnologia, a formação de qualidade e certificada tornou-se central para a otimização da resposta dos profissionais de saúde aos novos desafios colocados pela pandemia na gestão, organização e prestação de cuidados. Os cursos neste formato viabilizam o acesso, a garantia da qualidade e a certificação da formação.

Por outro lado, a ação interventiva da ESEP junto da comunidade tem demonstrado a necessidade de aumentar os recursos educacionais colocados ao dispor dos enfermeiros para que estes os possam utilizar nos processos formativos junto de população vulnerável. Neste particular, investigadores da ESEP desenvolveram conteúdos para capacitar os cuidadores a prestarem melhores cuidados informais e a prevenir a infeção pelo SARS-CoV-2.

#3 Como pode descrever o processo de produção do curso ECare - COVID19, realizado em contexto pandémico? Que dificuldades foram ultrapassadas e de que forma?

(MP) A produção de um curso em formato MOOC encerra desafios relacionados com as estratégias de comunicação e recursos pedagógicos a utilizar. A ESEP já tem alguma experiência na produção de conteúdos em formato MOOC o que nos facilitou a organização e gestão da produção.

Contudo existiram dois aspetos que nesta fase não foram facilitadores do processo: o primeiro, a sobrecarga de solicitações dos profissionais de saúde que participaram nas sessões do curso que, de alguma forma, atrasou a sua disponibilização. Este aspeto foi ultrapassado pela inabalável dedicação e compromisso que demonstraram com a disponibilização do seu know-how a toda a comunidade e de forma totalmente gratuita.

O segundo aspeto que efetivamente condicionou a produção do curso, neste formato, esteve relacionado com a escassez de recursos técnicos na área de produção e edição dos recursos audiovisuais. Ultrapassamos estes desafios fruto de um elevado espírito de missão, de equipa e vinculação a um projeto que, sabemos, contribuirá para a segurança e qualidade dos cuidados de saúde.

Presidente da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), Professor Doutor Luís Carvalho

#4 A COVID-19 trouxe também grandes desafios às instituições de ensino superior e aos estudantes. De que forma tem a ESEP e a sua comunidade lidado com estas dificuldades? 

(LC) A gestão da ESEP nos últimos tempos tem sido orientada pela firme determinação de contribuir ativamente para a prevenção e controlo da pandemia COVID-19, mas também de garantir a qualidade do ensino e a conclusão, com sucesso, dos percursos formativos dos seus estudantes.

A capacidade de adaptação e resposta à realidade vivida tem permitido à ESEP atingir os objetivos a que se propôs e continuar a cumprir a sua missão, encontrando na adversidade as oportunidades de melhoria.

Este último ano trouxe-nos desafios, incertezas e decisões difíceis, pela volatilidade das circunstâncias, mas que, no final, permitiram manter a formação pré e pós-graduada de enfermeiros com os níveis de qualidade a que ESEP sempre se impõe, o que se reflete, depois, na nossa representatividade nacional e internacional.

Temos por certeza que esta política de exigência contribui para que o sistema nacional de saúde tenha, à sua disposição, licenciados e especialistas em Enfermagem de qualidade que assegurem a prestação de cuidados de saúde aos Portugueses na fase mais desafiante das nossas vidas.

Na realidade, o caminho que a ESEP tem percorrido na última década ao nível da inovação das práticas pedagógicas, utilização de simuladores virtuais e no desenvolvimento e implementação de ferramentas tecnológicas de treino da decisão clínica, permitiu-nos estar melhor preparados para enfrentarmos os desafios associados ao ensino não presencial. Os nossos estudantes revelam, nas avaliações, a satisfação e reconhecimento da qualidade do ensino disponibilizado pela ESEP.

#5 Nesse sentido, pensa que a Plataforma NAU contribuiu para que a ESEP concretizasse a sua missão, ao longo dos últimos meses?

(MP) A plataforma NAU permitiu à ESEP expandir a sua missão no âmbito dos serviços prestados à comunidade, possibilitando o acesso de mais cidadãos e profissionais de saúde aos serviços prestados pela ESEP.

#6 Como avalia a ligação estabelecida entre a NAU e a ESEP? Está prevista a criação de mais cursos, no futuro?

(LC) O desafio na produção de cursos online é, de facto, enorme. Não apenas pela necessidade de articular as atividades pedagógicas regulares com a produção de novos conteúdos, mas também pelo imperativo de custear o processo de produção inovador.

Neste âmbito, reforçamos a necessidade de maior estímulo público às instituições para a criação de conteúdos digitais. Sem ele, o salto da crescente (e necessária) especialização e qualidade dos conteúdos disponibilizados continuará a ser movido pela boa vontade de alguns, num processo que deveria caminhar para a profissionalização, de modo a consolidar-se como um formato de ensino disponibilizado, de forma regular e consistente, pelas instituições públicas e privadas.

Quanto à parceria estabelecida entre a ESEP e a NAU, de facto, permite expandir o espaço de influência na área do conhecimento em Enfermagem e nos serviços à comunidade, em Portugal e nos países de língua oficial portuguesa, pelo que novidades formativas surgirão nos próximos meses, dando cumprimento à nossa missão pública.

Inscreva-se no curso disponibilizado através da plataforma NAU, um serviço gerido pela unidade FCCN da Fundação da Ciência e a Tecnologia (FCT): https://www.nau.edu.pt/pt/curso/ecare-covid-19-programa-de-atualizacao-profissional/