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ArtigoCiências Exatas e Tecnologias02/10/2026
A cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusiva das equipas de tecnologias de informação. Ataques de phishing mais sofisticados, utilização maliciosa de Inteligência Artificial (IA), roubo de credenciais, ransomware e exploração de vulnerabilidades representam riscos crescentes para cidadãos e organizações. A melhor defesa começa na prevenção: reconhecer ameaças, adotar boas práticas e desenvolver competências de cibersegurança. No âmbito do Mês Europeu da Cibersegurança, descubra alguns dos riscos que vão marcar o futuro digital e como a aprendizagem pode ajudar a enfrentá-los.
A evolução da tecnologia cria novas oportunidades, mas também permite desenvolver ataques digitais mais convincentes, rápidos e difíceis de identificar.
A crescente digitalização da sociedade trouxe inúmeras vantagens. Serviços públicos, operações bancárias, compras, trabalho e comunicação podem hoje ser realizados através de dispositivos ligados à Internet. Para as empresas, tecnologias como a cloud, a Inteligência Artificial (IA) e a automatização permitem aumentar a eficiência e criar novos serviços.
Esta dependência do digital aumenta também a superfície de exposição a ameaças.
A Agência para a Cibersegurança da União Europeia (ENISA), no seu relatório anual sobre o panorama das ciberameaças, acompanha a evolução de ameaças como ataques de negação de serviço, ransomware, engenharia social, ameaças contra dados e exploração de vulnerabilidades. Segundo o relatório de 2025, os setores com mais incidentes reportados na União Europeia incluíam os setores públicos, transportes, estruturas digitais e serviços, finanças e manufatura, onde entidades essenciais representam 53,7% do número de total de incidentes. O phishing foi o método de eleição dos ciberatacantes, representando 60% das técnicas utilizadas.
Neste cenário, a cibersegurança depende tanto da tecnologia como das pessoas. Reconhecer uma tentativa de fraude, proteger uma palavra-passe ou saber como reagir perante um incidente pode fazer uma diferença significativa.
IA, engenharia social, roubo de credenciais, ransomware e vulnerabilidades na cadeia digital são alguns dos riscos que cidadãos e organizações devem conhecer.
Mensagens fraudulentas já não são necessariamente fáceis de reconhecer. A utilização de IA generativa pode ajudar agentes maliciosos a criar textos mais credíveis, adaptar mensagens a diferentes públicos e aumentar a escala das tentativas de fraude.
O desafio passa por desenvolver uma atitude crítica perante e-mails, SMS, chamadas ou mensagens que solicitem dados pessoais, credenciais ou pagamentos.
A evolução da IA permite criar conteúdos de áudio, imagem e vídeo cada vez mais realistas. Uma voz ou uma imagem aparentemente legítima deixa, por isso, de constituir prova suficiente de identidade.
Para cidadãos, isto pode traduzir-se em novas formas de fraude. Para empresas, pode significar tentativas de personificação de responsáveis, fornecedores ou outros interlocutores.
As credenciais continuam a ser uma porta de entrada importante para contas e sistemas. Reutilizar palavras-passe, escolher combinações fracas ou ignorar mecanismos adicionais de autenticação aumenta a exposição ao risco.
O ransomware pode impedir o acesso a sistemas e dados essenciais, com consequências financeiras, operacionais e reputacionais.
A proteção não depende apenas de ferramentas tecnológicas. Políticas de segurança, cópias de segurança, formação, gestão de risco e capacidade de resposta a incidentes são igualmente importantes.
Cloud, dispositivos móveis, objetos conectados e fornecedores externos criam ecossistemas digitais complexos. Uma vulnerabilidade num dos seus componentes pode afetar várias organizações e utilizadores.
As ameaças podem ser semelhantes, mas o impacto e as medidas de proteção variam entre um utilizador individual e uma organização.
Ameaça
Cidadãos
Empresas
Phishing
Roubo de dados ou dinheiro
Comprometimento de contas e sistemas
Roubo de credenciais
Acesso indevido a contas pessoais
Acesso a informação e recursos empresariais
Deepfakes
Fraude e manipulação
Personificação de responsáveis ou parceiros
Ransomware
Perda ou bloqueio de ficheiros
Interrupção da atividade e perda de dados
Engenharia social
Manipulação para obter informação
Fraude, acesso indevido ou comprometimento interno
Apesar destas diferenças, existe um princípio comum: quanto maior for a literacia em cibersegurança, maior será a capacidade para identificar comportamentos suspeitos e tomar decisões mais seguras.
Desenvolver competências de cibersegurança ajuda cidadãos e profissionais a reconhecer ameaças e reduzir comportamentos de risco.
Uma organização pode investir em tecnologia de proteção, mas basta uma palavra-passe comprometida ou uma mensagem fraudulenta convincente para criar uma situação de risco. Por isso, a cibersegurança deve fazer parte da aprendizagem de qualquer pessoa.
Para quem pretende adquirir conhecimentos essenciais, o curso online da Plataforma NAU "Cidadão Ciberseguro", dinamizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), permite desenvolver competências para uma utilização mais segura dos ambientes digitais.
Já o curso "Consumidor Ciberseguro" aborda a segurança na perspetiva do consumidor, ajudando a reconhecer riscos associados à utilização de serviços digitais.
Nas organizações, proteger sistemas e informação exige combinar boas práticas individuais com uma estratégia estruturada de gestão do risco.
A cibersegurança empresarial não pode depender apenas da reação a incidentes. É necessário identificar riscos, estabelecer processos, preparar colaboradores e definir mecanismos de prevenção e resposta.
O curso "Introdução às Boas Práticas de Cibersegurança", dinamizado pela Academia Portugal Digital, órgão pertencente à Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) constitui um ponto de partida para conhecer comportamentos e princípios essenciais de proteção.
Para uma perspetiva mais orientada para as organizações, o curso "Estratégias de Cibersegurança Empresarial", também da Academia Portugal Digital, permite aprofundar a importância de integrar a segurança na realidade empresarial.
A gestão estruturada dos riscos pode ser aprofundada através do curso "Gestão dos Riscos de Cibersegurança nas Organizações", dinamizado pelo .PT.
Uma estratégia de cibersegurança eficaz deve incluir capacidade para detetar, gerir e responder a incidentes.
Nenhuma organização consegue eliminar totalmente o risco. Por isso, além da prevenção, importa preparar a resposta.
Equipas especializadas de resposta a incidentes desempenham um papel importante na identificação, contenção e recuperação perante acontecimentos de segurança. Para organizações que pretendam desenvolver esta capacidade, o curso "CSIRT in a Box: Capacitação Inicial de Equipas de Resposta a Incidentes", da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), apresenta uma abordagem orientada para a capacitação inicial destas equipas.
O curso mais adequado depende dos conhecimentos atuais e do contexto em que pretende aplicar as competências.
Se pretende...
Curso recomendado
Proteger-se melhor no ambiente digital
Fazer compras e utilizar serviços digitais com maior segurança
Aprender princípios essenciais de proteção
Desenvolver uma abordagem empresarial
Compreender e gerir riscos organizacionais
Preparar uma equipa de resposta a incidentes
Num cenário de permanente evolução, atualizar conhecimentos é uma das formas mais eficazes de reforçar a segurança digital.
As ameaças digitais vão continuar a evoluir à medida que surgem novas tecnologias. A resposta não passa por evitar o digital, mas por aprender a utilizá-lo de forma mais informada, crítica e segura.
Para os cidadãos, isso significa reconhecer riscos e proteger melhor dados, contas e dispositivos. Para as empresas, implica transformar a cibersegurança numa responsabilidade transversal, que envolve pessoas, processos, tecnologia, gestão do risco e preparação para incidentes.
Neste Mês Europeu da Cibersegurança, aproveite para reforçar as suas competências e explore os cursos de cibersegurança disponíveis na plataforma NAU.
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Entre as ameaças relevantes encontram-se phishing e engenharia social, ransomware, roubo de credenciais, ataques contra dados, exploração de vulnerabilidades e novas formas de fraude apoiadas por Inteligência Artificial.
A IA pode ser utilizada para tornar mensagens fraudulentas mais convincentes, produzir conteúdos falsos e apoiar a automatização de determinadas atividades maliciosas. Por isso, pensamento crítico e verificação de identidade tornam-se ainda mais importantes.
Devem combinar tecnologia com formação dos colaboradores, políticas de segurança, gestão contínua do risco, proteção de acessos, cópias de segurança e planos de resposta a incidentes.
A plataforma NAU disponibiliza cursos online gratuitos para diferentes níveis e objetivos, desde competências essenciais para cidadãos e consumidores até estratégia empresarial, gestão de riscos e resposta a incidentes.
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