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ArtigoFormação e EducaçãoCiências Exatas e Tecnologias20/03/2026
Historicamente, a digitalização no ensino superior avançou de forma gradual, com a adoção faseada de ferramentas tecnológicas. Esse progresso inicial foi assim fragmentado e limitado, focando-se em recursos isolados e sem impactar de forma consistente estruturas organizacionais ou práticas pedagógicas.
Nas últimas décadas, contudo, a transformação digital precisou de assumir uma dimensão mais ampla e estratégica. Deve ser compreendida como um processo de integração tecnológica abrangente, que envolve mudanças organizacionais, adaptação de práticas pedagógicas e desenvolvimento de competências digitais em toda a comunidade académica. Esta abordagem permite reconfigurar métodos de ensino e investigação, atualizar recursos pedagógicos e flexibilizar ambientes de aprendizagem, ampliando o acesso, reforçando a equidade e alinhando a educação às exigências da sociedade e do mercado global.
Apesar da adoção mais estratégica da digitalização, muitas instituições enfrentam desafios significativos. Segundo o artigo "Unveiling the barriers to digital transformation in higher education institutions: a systematic literature review", publicado em 2025 pela Springer, essas barreiras são multidimensionais e vão além da tecnologia. Entre os principais desafios, destacam-se:
Estratégia e liderança: muitas instituições não têm uma visão clara nem estruturas de gestão preparadas, dificultando a implementação coordenada da digitalização.
Organização e cultura: processos rígidos e resistência à mudança limitam a integração de novas tecnologias e a adaptação das práticas académicas.
Tecnologia e interoperabilidade: sistemas desatualizados e falta de integração entre plataformas dificultam a modernização e a gestão eficiente da informação científica.
Competências digitais: lacunas na literacia digital entre docentes, investigadores e estudantes comprometem o uso eficaz das ferramentas digitais.
Governança e ética: privacidade de dados, segurança, propriedade intelectual e o impacto de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial (IA) e big data, exigem modelos de governança claros e competências adequadas.
O relatório "Higher Ed Innovation Index 2025" reforça este cenário, indicando que cerca de 30% das instituições já operam os seus sistemas principais totalmente na cloud e que a adoção de IA está em expansão (97,4 % das instituiçõesestão a explorar ou a implementar estas tecnologias). Ainda assim, persistem dificuldades nessa implementação: 44% das instituições identificam a gestão da mudança tecnológica como o principal desafio e 39 % apontam a falta de integração entre sistemas. Além disso, metade das instituições refere limitações na capacitação das equipas, incluindo falta de formação adequada (49%) e especialização técnica insuficiente (50%).
Para responder a estes desafios, muitas instituições têm recorrido a soluções digitais integradas, que vão além da simples adoção de tecnologias, e permitem melhorar a interoperabilidade, a gestão de ciência e dados, e a capacitação digital.
A própria transição digital oferece ferramentas que permitem enfrentar as dificuldades identificadas no ensino superior:
Infraestruturas integradas: plataformas digitais permitem centralizar recursos pedagógicos e científicos, facilitando a gestão e a utilização de conteúdos.
Colaboração e ciência baseada em dados: tecnologias digitais favorecem o trabalho colaborativo e a análise de grandes volumes de informação científica, apoiando decisões informadas e investigação interinstitucional.
Promoção da Ciência Aberta: a digitalização amplia o acesso, a citação e a disseminação de resultados de investigação, alinhando-se com tendências globais de valorização de outputs académicos.
Gestão de conteúdos científicos e rastreabilidade: instrumentos como o Digital Object Identifier (DOI) permitem identificar e referenciar de forma inequívoca cursos, artigos e outros conteúdos digitais, garantindo estabilidade mesmo que o endereço online mude.
A implementação do serviço de atribuição de DOI na Plataforma NAU permite que cursos resultantes de projetos de investigação sejam referenciados, citados e indexados de forma estável, reforçando a visibilidade académica e promovendo a Ciência Aberta. Um exemplo é o curso “Portugal na Idade Média: um reino com municípios democráticos e sem cidades?”, desenvolvido pela Universidade NOVA de Lisboa através do Instituto de Estudos Medievais, da NOVA FCSH, cuja atribuição de DOI aumentou a sua participação internacional e impacto académico. Este serviço ilustra como a transição digital pode ir além da disponibilização de formação online, integrando infraestruturas digitais para melhorar a interoperabilidade, a rastreabilidade e a valorização dos resultados científicos no ensino superior e na investigação em Portugal.
A NAU é cofinanciada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
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