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Da literacia dos cidadãos à formação de profissionais: como os cursos online estão a influenciar a área da saúde em Portugal

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ArticleLife and Health Sciences

04/07/2026

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No Dia Mundial da Saúde, vários parceiros da NAU refletem sobre os desafios e oportunidades da formação online - desde a promoção da literacia em saúde à formação de profissionais.

Falar de saúde implica, inevitavelmente, falar de informação. Não apenas da sua existência, mas da forma como é acedida, interpretada e utilizada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define literacia em saúde como a capacidade de aceder, compreender, avaliar e aplicar informação para tomar decisões informadas. No entanto, compreender informação em saúde continua a ser um desafio significativo para uma parte relevante da população. 

“O baixo nível de literacia em saúde é muito comum na União Europeia” referem Miguel Padilha, Diretor da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto (ESEP), e Daniel Cunha, Professor Adjunto da mesma instituição. “Cerca de 49% da população tem níveis de literacia problemático ou inadequado, e, pelo menos, uma em cada três pessoas pode não ser capaz de compreender informações essenciais relacionadas com a saúde”. Em Portugal, esta realidade não é exceção: segundo os dois especialistas, “cerca de metade dos portugueses continua a apresentar dificuldades em aceder, compreender e utilizar informação em saúde.” Este cenário pode levar a diversas complicações, colmatando numa “menor autonomia na gestão da doença” e a “dificuldades na adesão ao regime terapêutico”.  

A Direção-Geral de Saúde (DGS) corrobora este cenário. “Muitas pessoas com doenças não transmissíveis continuam a ter dificuldade em compreender plenamente a sua doença, interpretar valores e gerir tratamentos do dia a dia”, refere a equipa desta parceira fundadora da NAU. “A baixa literacia em saúde torna mais difícil reconhecer sinais de alerta e distinguir informação fiável de mitos muito difundidos.” 

Para Hanna Pięta, investigadora e docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, este tipo de literacia, que “não se resume a saber ler uma bula ou entender um diagnóstico”, é “profundamente contextual”, estando dependente da experiência individual, da língua, do nível de escolaridade e de múltiplos fatores sociais e culturais. “Um idoso falante nativo de português que vai ser submetido a uma intervenção cirúrgica pode ter dificuldades com terminologia médica complexa ou com sistemas cada vez mais digitalizados, mas navega o sistema numa língua que domina e num contexto cultural que conhece. Uma grávida recém-chegada a Portugal, sem domínio do português, enfrenta exatamente os mesmos desafios clínicos, mas precisa de competências muito diferentes: perceber como funciona o SNS, conseguir comunicar os seus sintomas, compreender um consentimento informado numa língua que não domina e tomar decisões sobre a sua saúde e a do bebé num contexto cultural que pode ser muito distinto do seu. São duas pessoas, o mesmo procedimento, e necessidades de literacia completamente diferentes.”  

Outro desafio prende-se pela assimetria de conhecimento entre profissionais de saúde e a população geral, que podem gerar estigmas e atrasos no diagnóstico, apesar de, em muitos casos, serem doenças tratáveis e evitáveis. A DGS dá o exemplo da tuberculose. “Apesar de sermos um país de baixa incidência, a tuberculose continua a afetar populações vulneráveis frequentemente fora do radar dos cuidados primários. Aumentar a literacia em saúde significa capacitar tanto os cidadãos para reconhecerem sintomas e procurarem cuidados, como os profissionais para manterem o índice de suspeição clínica adequado”. Para reduzir estas desigualdades no acesso à informação clara e fiável, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) refere a necessidade de “investimento em educação acessível, clara e baseada em evidência científica”. No contexto específico da doação de sangue e de medula óssea, o Conselho Diretivo do Instituto indica que “continua a ser essencial reforçar a sensibilização da população, particularmente dos mais jovens, para as necessidades existentes e para o impacto que um gesto solidário pode ter na vida de muitos doentes”. 

O impacto dos cursos online na literacia em saúde 

O ambiente digital tem vindo a assumir um papel relevante na promoção da literacia em saúde. No caso específico dos cursos online, principipalmente os Massive Open Online Courses (em português, cursos abertos e massivos online), tradicionalmente conhecidos pelo seu acrónimo MOOC, a principal vantagem reside na capacidade de chegar a públicos diversos, ultrapassando barreiras geográficas, profissionais e temporais. Como destaca o Conselho Diretivo do IPST, “através de cursos online abertos conseguimos chegar simultaneamente a diferentes públicos — cidadãos, estudantes e profissionais — disponibilizando conteúdos estruturados, acessíveis e cientificamente validados.”  

Esta possibilidade de acesso alargado, combinada com a flexibilidade de aprendizagem ao ritmo de cada pessoa, tem contribuído para tornar a informação em saúde mais disponível e, em muitos casos, mais compreensível. “Quando bem moderados e baseados em evidência, estes recursos ajudam a combater mitos e desinformação, reforçando a autonomia de quem vive com doenças crónicas”, afirma a DGS. 

No entanto, esta expansão não está isenta de limitações. O acesso ao digital continua a não ser universal e as competências necessárias para tirar partido destas ferramentas não estão igualmente distribuídas. Como sublinha Hanna Pięta, “o ambiente online pode, paradoxalmente, excluir precisamente aqueles que mais precisam de apoio em literacia em saúde. Exige-se, por isso, uma abordagem multicanal (online e presencial, institucional e comunitária) que chegue a todos, e não apenas aos que já têm as ferramentas para aceder.”  

A evidência prática confirma este risco: no curso “Cuidadores Informais: Cuidar em Contexto Domiciliário”, desenvolvido pela ESEP na Plataforma NAU, apenas uma pequena percentagem dos participantes (perto de 2%) tinha mais de 65 anos, apesar deste grupo etário representar uma fatia significativa dos cuidadores em Portugal (cerca de 20%). Ao observarem estes dados, Miguel Padilha e Daniel Cunha concluem que “novos desafios se colocam no breve prazo, para que os conteúdos digitais exerçam os efeitos pretendidos em faixas etárias mais avançadas. Para além de serem baseados na evidência científica, devem ser claros e objetivos, cocriados com profissionais de saúde, adaptados a diferentes níveis de literacia e, sempre que possível, complementados por estratégias pedagógicas e andragógicas interativas”. 

Formação de profissionais de saúde, competências digitais e o impacto dos cursos na Plataforma NAU 

Num setor em constante evolução, marcado por avanços científicos e tecnológicos contínuos, a atualização de conhecimentos deixou de ser uma opção e passou a ser uma exigência. A formação online tem vindo a responder a esta necessidade de forma eficaz, não apenas pela flexibilidade que oferece, mas pela forma como permite integrar aprendizagem contínua na prática diária. Como refere a DGS, “a formação online permite disponibilizar conteúdos atualizados de forma ágil, sem depender de ciclos formativos presenciais, e possibilita que o profissional faça a sua formação no momento e ritmo que melhor se adequa à sua prática clínica.” Esta característica torna-se especialmente importante em áreas de baixa frequência clínica, onde o contacto com casos reais é limitado, mas o impacto de um erro pode ser elevado.  

A quebra de barreiras geográficas proporcionada pela formação online é vista como uma grande mais-valia, especialmente no contexto de saúde pública. “Um médico de família no interior do país tem hoje acesso aos mesmos conteúdos que um especialista hospitalar em Lisboa”. Outra vantagem, aparentemente menos óbvia, está relacionada com a própria produção de conteúdos formativos. “Num formato digital, é possível dar acesso a testemunhos e especialistas de renome internacional que, de outra forma, nunca estariam numa sala em Lisboa ou no Porto”, relembra Hanna Pięta. “No nosso MOOC “Literacy in AI Translation for Healthcare Services”, contámos com contribuições de especialistas baseados em vários países, algo que seria simplesmente impossível garantir de forma consistente num formato presencial”. 

Ao mesmo tempo, a escala e a capacidade de monitorização destes cursos trazem uma nova dimensão à formação de profissionais de saúde. No âmbito do Programa Nacional para a Tuberculose, a formação desenvolvida na Plataforma NAU pela DGS tornou-se uma referência, integrando orientações atualizadas e permitindo medir o seu alcance. “A possibilidade de acompanhar o número de inscritos e certificados permite-nos avaliar o impacto real da formação e fundamentar a estratégia do programa, algo que a formação presencial dificilmente conseguia assegurar com esta escala e rastreabilidade.”  

Mas a formação não se limita à atualização técnica. “Hoje, um profissional de saúde precisa não só de competências clínicas, mas também de competências digitais: saber interpretar informação científica online, utilizar plataformas digitais de formação e comunicação e apoiar os doentes na compreensão de informação de saúde disponível na Internet”, reitera o Conselho Diretivo do IPST. Também Miguel Padilha e Daniel Cunha, da ESEP, reforçam esta visão: “a transformação digital exige profissionais de saúde não apenas competentes, mas criticamente informados”. 

Neste contexto, a Inteligência Artificial (IA) surge como um dos maiores desafios atuais. Hanna Pięta destaca a necessidade de desenvolver “a capacidade de avaliar criticamente ferramentas de IA em contextos clínicos: perceber o que fazem, como funcionam, quais os seus limites e onde podem falhar.” Sem esta compreensão, os riscos são concretos, desde enviesamentos nos dados até problemas de privacidade ou desempenho desigual em diferentes contextos, o que pode afetar sobretudo populações mais vulneráveis. No caso do curso desenvolvido através da Universidade NOVA de Lisboa, houve impacto direto na prática profissional. “Uma conquista que nos orgulha particularmente é o facto de vários participantes terem posteriormente mudado práticas concretas nas suas instituições — não apenas adquirido conhecimento, mas efetivamente transformado a forma como trabalham. Isto não é algo que se dê como garantido numa formação online.”  

Também o IPST mostra como este modelo pode ser aplicado de forma integrada. O primeiro MOOC dinamizado por este instituto na Plataforma NAU, em 2022, estava dedicado aos critérios de elegibilidade para a dádiva de sangue, tendo atingido mais de 2 mil inscrições. Os dois cursos mais recentes, lançados em dezembro de 2025, tencionam informar sobre a doação de medula óssea no âmbito do Registo Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea (CEDACE). Um está orientado para a sensibilização da população em geral; o outro, é dirigido aos profissionais de saúde envolvidos nos processos de inscrição, avaliação e ativação de dadores, com vista a atualizá-los sobre as recentes mudanças nos critérios do CEDACE. Em menos de 4 meses após o seu lançamento, estas formações já angariaram, em conjunto, perto de 3 mil inscrições. Como refere a instituição, esta oferta formativa “permite não só reforçar a capacitação dos profissionais, como também promover uma maior consciencialização pública sobre a importância da dádiva e da transplantação, contribuindo para uma participação mais informada e solidária da sociedade nestes processos.” 

O caso dos 13 cursos da ESEP na Plataforma NAU, lançados entre 2023 e 2025, também mostram o sucesso desta modalidade, tendo sido até objeto de estudos publicados na Editora Nature e na JMIR Nursing. No total, atraíram mais de 32 mil inscritos, com cerca de metade a concluírem a formação com sucesso. “Os resultados evidenciaram um aumento significativo na retenção de conhecimentos dos enfermeiros, partindo de um conhecimento médio dos participantes de 59,97% na avaliação inicial, para 84,05% na avaliação final”, explicam Miguel Padilha e Daniel Cunha Noutro ao analisarem o resultado do estudo publicado na JMIR Nursing. “Os resultados obtidos em ambos os estudos permitiram concluir que a aprendizagem e-learning assíncrona e móvel é útil na aprendizagem ao longo da vida de profissionais e estudantes de enfermagem, tanto pela flexibilidade de participação, quanto pelo apoio fornecido no processo de tomada de decisão na prática clínica. É, contudo, ainda mais útil à sociedade, por permitir a retenção de conhecimento mais atualizado sobre condições de saúde e doença e, assim, permitir aos profissionais de saúde prestarem cuidados melhores e mais seguros”.

Estratégias para Gestão da Resistência aos Antimicrobianos

OrganizationDireção-Geral da Saúde
Course codeEGRAM
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

Literacy in AI Translation for Healthcare Settings

OrganizationUniversidade NOVA de Lisboa
Course codeLAIHS
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

Desastres, Mudanças Climáticas e Impacto na Saúde

OrganizationUniversidade do Porto
Course codePSPACD
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

Certificação de Óbitos em Portugal

OrganizationDireção-Geral da Saúde
Course codeECOBITOPT
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

Doar Medula, Salvar Vidas

OrganizationInstituto Português do Sangue e da Transplantação, IP
Course codeDMSV
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

CEDACE 2.0 - Novos Critérios, Novos Caminhos

OrganizationInstituto Português do Sangue e da Transplantação, IP
Course codeCEDACE2
Course date Open for enrollment
The entire course can be completed without cost.

A NAU é cofinanciada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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