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Ciência no Feminino: contexto, desafios e perspetivas

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ArticleExact Sciences and Technology

02/11/2026

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O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência promove, desde 2015, o acesso equitativo de mulheres às áreas científicas e tecnológicas. Conheça melhor o panorama global desta representatividade e quais os seus principais desafios.

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: porquê celebrá-lo? 

A criação desta efeméride por parte da Assembleia Geral das Nações Unidas decorreu da necessidade de enfrentar desigualdades estruturais que historicamente limitaram o acesso e a participação das mulheres nas áreas científicas. As desigualdades de género no campo da ciência manifestam‑se em múltiplos níveis, desde a escolarização em disciplinas STEM, acrónimo em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics (Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas), até à representação em posições de liderança académica e científica.

Reconhecer e valorizar as contribuições das mulheres na ciência não se enquadra apenas numa perspetiva de justiça social, mas também numa dimensão essencial para o avanço global do conhecimento. A participação plena e ativa de mulheres e meninas tem impacto direto no desenvolvimento de soluções mais diversas pelo contributo de perspetivas variadas, inovadoras e sustentáveis para os desafios contemporâneos. 

Este ano, 2026, será o 11º em que este dia é celebrado, reconhecendo a importância da participação feminina na ciência e na tecnologia. “No âmbito da Década Internacional das Ciências para o Desenvolvimento Sustentável (2024–2033), imaginar um mundo com mais mulheres na ciência não é apenas uma aspiração, mas também uma chamada à ação para criar soluções que não deixem ninguém para trás”, refere Lídia Brito, Diretora-Adjunta da UNESCO para as Ciências Naturais. 

Panorama global da representação das mulheres na ciência atualmente 

Segundo a UNESCO,as mulheres continuam sub-representadas na investigação científica a nível global, correspondendo, em média, a cerca de 33,3% do total de investigadores. No domínio das áreas STEM, esta desigualdade mantém-se também evidente: apenas 35% dos estudantes e diplomados em STEM são mulheres. Isto reflete-se diretamente no mercado de trabalho, onde apenas 22% dos empregos STEM nos países do G20 - um fórum internacional que reúne as maiores economias do mundo, com o objetivo de discutir e coordenar políticas económicas, financeiras e de desenvolvimento global - são ocupados por mulheres (cerca de metade da proporção registada na força de trabalho global). 

Embora as mulheres apresentem uma presença mais expressiva em áreas como as ciências naturais e da saúde (em que compõem, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 67% da força de trabalho global), continuam significativamente sub-representadas em setores de alta tecnologia, bem como em posições de liderança científica, onde apenas 1 em cada 10 cargos de liderança em STEM é ocupado por uma mulher. Também 17 dos 589 Prémios Nobel em STEM foram concedidos a mulheres, dados que podem ser justificados tanto pela sua reduzida presença nestas áreas, como pela visibilidade das suas representantes. Adicionalmente, persistem desigualdades estruturais no acesso a financiamento, reconhecimento académico e oportunidades de progressão na carreira científica, fatores que condicionam a permanência e ascensão das investigadoras em diferentes contextos nacionais e internacionais, contribuindo para a manutenção das assimetrias de género na ciência e na inovação. 

E em Portugal? 

A Direção-Geral da Educação indica que a reflexão sobre a participação das mulheres na ciência acompanha tendências europeias mais amplas. Dados nacionais apresentados no Boletim Estatístico 2025 “Igualdade de Género em Portugal” apontam para progressos em algumas áreas académicas, mas também para desequilíbrios em campos como tecnologia, engenharia e competências digitais, onde a presença feminina ainda é menor do que a dos homens. Contudo, em Portugal, as mulheres representam cerca de 36,5% das pessoas diplomadas em áreas STEM, um valor superior à média da União Europeia.

O lançamento do 5º volume do livro “Mulheres na Ciência” é um exemplo de iniciativa nacional cujo objetivo se centra em dar visibilidade ao trabalho de mulheres cientistas, reunindo mais de 107 retratos de investigadores de diferentes gerações. Esta obra serve igualmente de exemplo e inspiração para as atuais e futuras gerações, pela promoção de modelos de referência. 

Desafios e prioridades 

O relatório da UNESCO Call to Action: Closing the Gender Gap in Science (2024) destaca que, apesar dos progressos, persistem lacunas estruturais que limitam a participação plena de mulheres e meninas nas áreas STEM. Entre os principais desafios estão a sub-representação feminina em carreiras científicas, o acesso desigual a financiamento e oportunidades de investigação, e a escassa presença em posições de liderança.

Como prioridades estratégicas, a UNESCO propõe promover políticas inclusivas que incentivem a participação desde a educação básica, fortalecer redes de mentoria e visibilidade de modelos femininos, criando ambientes de investigação equitativos. A implementação destas ações é crucial para fechar a lacuna de género, garantindo que a ciência beneficie de todas as perspetivas e talentos disponíveis globalmente. 

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