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ArticleTraining and Education01/13/2026
Se bem implementada, a Inteligência Artificial (IA) pode melhorar a aprendizagem e reduzir desigualdades. A UNESCO refere, até, que a IA "tem o potencial de responder a alguns dos maiores desafios da Educação de hoje”, contribuindo para o “acesso ao conhecimento, à investigação e à diversidade de expressões culturais”. Porém, é relevante assegurar que estas tecnologias são centradas no ser humano e que não aumentem "as divisões entre e no seio dos países”.
A IA já é uma realidade em muitas salas de aula pelo mundo. Na Europa em particular, a sua aplicação ocorre de forma distinta, dependendo de vários fatores: as ferramentas e recursos disponíveis, as políticas de privacidade dos diferentes países, a formação dos professores e docentes são alguns deles, como referido numa notícia da Euronews de dezembro de 2025.
Em Portugal, existe iniciativa no sentido de impulsionar infraestruturas digitais e formação de professores. Na Web Summit 2025, realizada em Lisboa no passado mês de novembro, Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, refere o modelo de linguagem de grande escala português, Amália, apresentado há um ano precisamente na Web Summit 2024, dizendo: “estamos a dar respostas que não conseguíamos dar ontem. Queremos dar a cada estudante um tutor de IA que escuta, guia e inspira a sua aprendizagem", criando percursos de aprendizagem individualizados, sendo essencial que se garanta o acesso a todos os estudantes. O Executivo português deverá apresentar em breve a sua estratégia nacional para a inteligência artificial.
O ensino híbrido, uma tendência que também veio para ficar, “presume a combinação de diferentes metodologias e estratégias”: ensino presencial e componentes online, oferecendo desta forma uma estrutura flexível onde os estudantes podem aceder a conteúdos digitais (vídeos, leituras, fóruns) ao seu ritmo e posteriormente participar em sessões presenciais para debate, aplicação e aprofundamento do conhecimento. Esta conjugação permite que o ensino se adapte a diferentes realidades, como horários de trabalho, responsabilidades familiares ou deslocações, tornando a aprendizagem mais acessível e inclusiva.
Entre as principais vantagens do modelo híbrido com metodologias ativas, salientam‑se a promoção de maior autonomia e envolvimento dos estudantes, o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, comunicação e autorregulação, e o reforço de aprendizagens mais profundas e duradouras. Esta abordagem pode melhorar o desempenho académico e aumentar a motivação e satisfação, tanto de alunos como de professores.
O ensino híbrido aliado a metodologias ativas emerge como uma tendência ascendente em 2026 porque responde às expectativas atuais de flexibilidade, diversidade de perfis e exigências de literacia digital. À medida que as instituições investem em plataformas online, ferramentas pedagógicas e formação docente, o híbrido consolida‑se como alternativa estruturada, moderna e adaptada às necessidades do século XXI.
A microlearning assenta numa aprendizagem dividida em pequenos blocos de conteúdo, objetivos e acessíveis em poucos minutos, emergindo como solução eficaz para os ritmos intensos da vida moderna. Com lições curtas e focadas, permite que os formandos acedam facilmente a conteúdos, mesmo com tempo limitado, facilitando a retenção da informação.
A pertinência e eficácia desta forma de aprendizagem é baseada em estudos de ciência cognitiva, que se debruçam sobre a forma como o nosso cérebro processa e retém informação e novos conhecimentos, comprovam a eficácia na retenção de informação e novos conhecimentos quando implementado. Um exemplo disso é a curva do esquecimento de Ebbinghaus, que indica que as pessoas tendem a esquecer até 50% do que aprendem em apenas uma hora e 90% em um mês.
Quando combinada com gamificação, a introdução de elementos típicos de jogos (recompensas, desafios, progressão, feedback), a microlearnig ganha maior motivação, envolvimento e persistência. Esta combinação aumenta a participação, o interesse e a satisfação dos estudantes, e pode contribuir para aprendizagens mais consistentes e significativas.
Em 2026, esta tendência tende a crescer porque abraça as necessidades atuais: flexibilidade, personalização, aprendizagem contínua e adaptada a diferentes perfis. À medida que as plataformas educativas e formativas evoluem, e que o tempo e a atenção dos aprendentes se tornam mais fragmentados, a microlearning gamificada representa um formato eficaz, moderno e alinhado com a realidade digital e de vida quotidiana.
As tecnologias de Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR) estão também a emergir como ferramentas poderosas para transformar o ensino tradicional em experiências imersivas, interativas e sensoriais. Em vez de depender exclusivamente de manuais, quadros ou aulas expositivas, os alunos podem explorar ambientes 3D, simular fenómenos complexos - desde moléculas e estruturas anatómicas até cenários históricos ou laboratórios virtuais - de forma a tornar a aprendizagem mais envolvente e concreta. Esta imersão favorece a motivação, a curiosidade e uma compreensão mais profunda dos conteúdos.
As principais vantagens das experiências AR/VR na educação residem no aumento do envolvimento e da retenção de conhecimento, na capacidade de tornar conceitos abstratos tangíveis, e na acessibilidade e segurança que proporcionam: simulações de risco, laboratórios virtuais ou anatomia médica, por exemplo, permitem aprendizagem segura e repetível sem os custos ou perigos associados aos meios tradicionais. Para além disso, a integração com a IA e personalização adaptativa permite adequar a experiência ao perfil do aluno, agregando feedback em tempo real e trajetos de aprendizagem ajustados.
Em 2026, a adoção de AR e VR tende a intensificar‑se, impulsionada pelo crescimento do mercado global destas tecnologias no setor educativo, as melhorias em hardware (mais acessível e leve) e a maior literacia digital de estudantes e professores.
Num outro espetro diferente dos pontos anteriores, assinalamos as competências socio-emocionais (a capacidade de gerir emoções, desenvolver empatia, tomar decisões responsáveis e relacionar‑se de forma saudável com outras pessoas), que assumem cada vez mais importância no contexto educativo. A UNESCO define o que se designa por “social and emotional learning” (SEL) como um processo de aprendizagem que integra os domínios cognitivo, social, emocional e relacional, visando não só o sucesso académico, mas o bem‑estar, a cidadania e a criação de ambientes mais inclusivos e saudáveis.
Quando integradas de forma sistemática no currículo, estas competências trazem benefícios concretos: promovem o bem‑estar emocional dos alunos, melhoram o comportamento, reduzem o abandono escolar e fomentam maior participação e sentido de pertença à escola. Estudos mostram que programas de SEL contribuem para melhorias no desempenho académico, com ganhos médios de 11 pontos percentuais nos resultados comparados com alunos sem esse tipo de intervenção, desde maior assiduidade e regularidade na realização de trabalhos escolares.
Além disso, favorecem a aprendizagem de competências essenciais para o século XXI, como empatia, colaboração, pensamento crítico, resiliência e autonomia. Estas características tornam-na uma tendência muito relevante a considerar em 2026, pela necessidade de resposta às necessidades de uma sociedade cada vez mais complexa: alunos sujeitos a desafios de saúde mental, exigências sociais e rápidas mudanças. Esta visão de um modelo educativo mais integral alia‑se a esforços nacionais de formação docente e projetos institucionais destinados a promover a saúde, o bem‑estar e a inclusão no ambiente escolar.
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